No auge após volta ao país, Jadson vê Timão com 'cara e sorte' de campeão
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da fezbet: – Falam que sou irregular. O meu principal objetivo é ter regularidade boa o ano todo.
da betcris: A frase acima foi dita por Jadson, no fim de fevereiro, logo após recusar a milionária proposta do Jiangsu Sainty, da China.
Dito e feito. Mais do que ser regular, o camisa 10 do Corinthians tem sido decisivo. Líder de assistências no elenco na temporada (19 passes para gol), ele ainda é o artilheiro do time no Campeonato Brasileiro, com 11 gols. Jadson foi além. Tão além que não hesita em afirmar que vive o melhor momento na carreira desde que voltou ao futebol brasileiro, em 2012. Já com um pouco mais de cautela, ele hoje se coloca um passo a frente dos concorrentes na disputa pelo posto de craque da competição nacional.
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Neste domingo, o meia foi decisivo mais uma vez com os dois gols da vitória por 2 a 0 sobre o Santos, na Arena Corinthians, pelo Campeonato Brasileiro, mantendo o Timão com vantagem confortável na liderança do Campeonato Brasileiro.
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Na última semana, ao LANCE!, ele comentou o seu bom momento, falou sobre a passagem pelo São Paulo, revelou ainda sonhar com Seleção e rebateu as críticas sobre suposto favorecimento da arbitragem ao Corinthians.Confira a entrevista:
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Você vive o melhor momento desde que voltou ao Brasil?
Desde que voltei acho que é meu melhor momento. Estou muito feliz, ajudando meus companheiros nos jogos, fazendo gols no Brasileirão e o número de assistências subiu também. Estou satisfeito com meu rendimento e do time todo.
Até por isso, se considera o melhor jogador do Brasileirão?
Tem outros jogadores de qualidade que estão fazendo um bom campeonato, mas fico feliz de ajudar o Corinthians. Com a equipe indo bem, começam a aparecer os jogadores. Ouço das pessoas que tenho chance de estar na seleção do torneio, isso me motiva cada vez mais para ter boas atuações.
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Nem mesmo os números (nove gols e seis assistência) e o fato de ser o camisa 10 do líder te fazem crer que é o melhor?
Pelos números, se for comparar, sim (estou acima), mas claro que cada um está fazendo seu trabalho e tem que respeitar. A imprensa e a torcida estão aí para ver e analisar.
Quais são os concorrentes?
O Renato Augusto está vivendo grande momento, todo mundo tem elogiado também. O Lucas Lima está fazendo bom campeonato, embora o Santos venha crescendo só agora. Tem o Dátolo (Atlético-MG) também. Nomes que podem entrar na briga. Estou correndo atrás do meu reconhecimento, tenho que seguir bem, isso que importa.
O Renato Augusto é o melhor meia que atuou ao seu lado?
Quando cheguei aqui todo mundo falava que a gente não poderia jogar junto, que não dava certo. Somos jogadores de qualidade, meias, claro que ele é diferente, carrega mais a bola, tem o passe também… Nós dois começamos a ganhar entrosamento com o Tite. A parceria tem dado certo. Ganhamos confiança e começamos a nos entender, a gente já sabe o que um pretende fazer no jogo. E o Renato vive um grande momento.
O sucesso da dupla é um mérito do Tite ou um demérito do Mano Menezes, que não achava que vocês poderiam jogar juntos?
O Mano tinha uma ideia de jogo, o Tite tem outra. Para o Mano, a dupla não estava dando certo, não estava encaixando. Mas agora tem dado certo e estamos ajudando a equipe da melhor maneira. Pode-se dizer que é a melhor parceria que eu já tive, sim.
Apesar da boa fase, você ainda acha que não é reconhecido?
Não sou um cara que liga muito para isso. Eu fazendo um bom campeonato vou ser reconhecido, ainda mais aqui no Corinthians, onde tudo é mais ou tudo é menos, não tem meio termo. Saio do estádio e o pessoal dá parabéns, me elogia, elogia o Renato Augusto, o Elias, o Gil… Isso é gratificante. Mas da mesma forma que o pessoal elogia hoje já pode criticar amanhã. Para manter a regularidade é seguir com trabalho e pés no chão.
Você teve duas chances de sair do Corinthians neste ano: Flamengo e China. Por que decidiu ficar?
Foi uma aposta que fiz, são escolhas que fazemos que podem dar certo ou errado. Tive uma conversa com o Tite quando vieram as propostas do Flamengo e da China. Decidi ficar e fiz a escolha certa. Apesar de a nossa equipe não ter ganhado nenhum campeonato, estamos fazendo uma boa temporada. No começo do Brasileirão, todo mundo comentava que o Corinthians brigaria no meio da tabela, isso porque o Emerson e Guerrero saíram… Aos poucos, sem muito auê, a cada ponto, o time atingiu a liderança.
Recentemente, o Renato Augusto disse que resolveu seguir no Corinthians depois de uma conversa com o Tite. Qual a importância do técnico nos momentos delicados do clube?
Não é que ele consegue segurar um jogador, ele apenas dá a ideia dele de trabalho, o que você pode representar neste trabalho, e não obriga ninguém a ficar. É você que fala sim ou não, ele não força, só passa o que você pode ajudar. Foi isso que ele passou para mim quando fui conversar com ele. Pela forma que ele falou, senti confiança para seguir no clube.
Ter o Tite como treinador foi um ponto determinante para você permanecer no Corinthians?
Entra no pacote, claro, mas por onde passei sempre consegui títulos, meu sonho aqui no Corinthians é esse. Naquele momento vínhamos bem na Libertadores, invictos há quase trinta jogos… Resolvi ficar por isso, mas o Tite também entra no pacote.
Você, sempre quando fala do Tite, exalta a confiança que ganhou dele. Isso não acontecia na época do Mano Menezes?
Não é que não tinha, mas cada treinador tem uma forma de levar o grupo, o jogador. Desde que o Tite chegou, ele deu atenção igualmente a todos, nunca deu preferência a um ou outro. Quando vai trabalhar, não tem um mais importante, ele cobra do menino ao mais velho da mesma forma. Quando ele tem que chegar e falar alguma coisa, fala na cara, sem falar por trás. É um cara correto, isso que o diferencia. A confiança que eu falo é a forma que ele trabalha.
O que mudou nos últimos meses para você estar tão bem?
Vai passando o tempo e você vai criando mais maturidade. Quando você é jovem, pensa de uma maneira, acha que vai vir tudo fácil, mas vai passando o tempo e você vê que não é assim, tem que trabalhar. A pressão que tem no futebol é em todo lugar. Foi assim no Atlético-PR, na Ucrânia, no São Paulo…. Para o jogador ter regularidade e construir história no futebol tem que batalhar muito e, além de trabalhar muito, ter sorte, a benção de Deus. Sempre trabalhei firme, nesses dez anos de carreira fui vendo o que poderia ajudar, atrapalhar, o que poderia fazer…
A reta final com a camisa do São Paulo foi o momento mais difícil? Ficou mais chateado por ter sido preterido ou mais feliz por ter chegado ao Corinthians?
No futebol tem coisas que acontecem nos bastidores que ninguém fica sabendo, foi uma decisão ali do clube, não fiquei chateado. Mas, graças a Deus, o Corinthians abriu as portas para mim. Desde que cheguei fui bem recebido. Claro que tive de mostrar, me sacrificar, mas graças a Deus está dando certo, a torcida reconhece meu trabalho, então hoje eu vejo por um lado positivo.
O que de fato aconteceu para você sair do São Paulo?
Toda equipe passa por reformulações, o São Paulo estava passando. Apareceu a oportunidade de troca com o Pato e não pensei duas vezes. Falei: “Pode me chamar que eu vou”. Foi uma escolha minha, sempre tive vontade de jogar no Corinthians pela torcida que tem. Estou feliz hoje.
Jadson é um dos destaques do Corinthians (Foto: Ari Ferreira/LANCE!Press)
Você está no Corinthians há quase dois anos, mas ainda ouve comparações com o Pato…
São características diferentes, né? O Pato é atacante, precisa de gols. Eu sou meia, tenho que dar assistências, às vezes também tenho chances de fazer gol. Enquanto a gente estiver jogando ao Brasil, a comparação sempre vai existir. Isso aí acaba motivando os dois. Ele vive um bom momento no São Paulo, eu vivo um bom momento no Corinthians. As duas equipes se deram bem com a troca.
Você acaba se irritando quando escuta que o Corinthians tem sido beneficiado pela arbitragem neste Campeonato Brasileiro?
Às vezes o pessoal quer tirar o foco do nosso trabalho usando erros da arbitragem. O Corinthians, em 2014, também foi muito prejudicado pela arbitragem. A gente reclamava, mas ninguém nos dava ouvidos. Muitos têm dito que o Corinthians foi beneficiado, vi até uma entrevista de um dirigente do Atlético-MG, que falou que nossa equipe está sendo ajudada. Ele, na verdade, quis tirar o foco do próprio time, que tinha perdido dois jogos. Estamos trabalhando sério, só nós sabemos o quanto suamos para atingir a liderança. Não é qualquer um que vai tirar os nossos méritos. Agora precisamos seguir com os pés no chão em busca do título nacional.
Usar terceiros como desculpa para esconder os próprios erros é um costume nosso, não?
Infelizmente é uma forma que algumas pessoas usam para reclamar. O pessoal acha que dar um pênalti equivocado para o Corinthians vai tirar o que a gente fez de bom em campo, o quanto a gente correu e se dedicou para ser líder.
O Corinthians tem baixas, mas consegue manter o nível e bons resultados. Acha que é um time com cara e sorte de campeão?
Isso é mérito da comissão técnica e do Tite, ele tem o grupo na mão. Um jogador sai ou vai defender a Seleção, outro entra e dá conta do recado. Os jogadores estão bem preparados, todos estão trabalhando bem. A nossa equipe, além de estar fazendo um bom trabalho, tem contado um pouco com a sorte. Tem dado tudo certo, temos feito bons jogos. Mesmo quando não fazemos bons jogos, temos conquistados bons resultados. Nós mesmos, em conversas no vestiário, brincamos: “Será que é sorte de campeão?” Mas sabemos que precisamos trabalhar bastante, temos muitas partidas pela frente. Temos uma vantagem boa, é verdade, só que o importante é manter os pés no chão até o fim.
E aquela meta de terminar o ano de forma regular?
Coloquei a meta de conseguir uma regularidade durante toda a temporada, porque eu vinha sendo muito cobrado, sempre diziam que eu começava bem e depois caia. Quero terminar bem o ano bem e regular. Estou conseguindo.
*Atualizado às 14h43